Ele e Ela. Ela e Ele. - Parte Dois

sábado, março 04, 2017 5 Comentários





Leia Ouvindo: Tom Odell

E lindamente a semana se passou. Ele aproveitou todos os últimos dias junto a ela. Almoçaram juntos todos os dias, ela dormiu no apê dele, eles foram ao cinema juntos, compartilharam o fone de ouvido e beijaram-se em outros tantos momentos. Aqueles últimos dias para ele, era como se fosse o que ele realmente precisasse, e para ela era cada dia uma despedida.

A formatura dele era hoje à noite e ele não estava nem um pouco animado, era desesperador ver a hora passar. Ela abriu a porta e saiu do quarto, estava linda, deslumbrante na verdade. Ele sorriu a abraçou e disse que não podia terminar assim. Ela disfarçadamente mudou o assunto perguntando se ele ia ou não terminar de se vestir.

Eles chegaram juntos e de mãos dadas, como se novamente estivessem entrando na festa de formatura do colegial, só que dessa vez com roupas mais bonitas e com muito mais autoconfiança em si mesmos. 

Eles riram a noite toda. Ficaram o máximo possível juntos. Eles sabiam que assim que a festa acabasse tudo mudaria. Eles sabiam que seria difícil dizer adeus, ou até breve. Ela sabia que partiria mais uma vez o seu coração dele, que sabia que mais uma vez ela escolheu a vida de seus sonhos, e ainda assim seu amor por ela não diminuía. Ele a achava forte e sabia que também era difícil para ela, mesmo que ela não demonstrasse.

A valsa foi anunciada e os dois corações batiam mais e mais rápido. Ele estendeu a mão a ela. Ela apertou com força. Ele percebeu que os olhos dela brilhavam muito mais que o normal, percebeu também que ela se esforçava para que nenhuma lágrima caísse.

Assim que a música terminou, os casais todos se separaram e aplaudiram um ao outro. Mas eles não, ele a abraçou e disse que não queria que a música jamais acabasse. Ela sorriu, deu um beijo no rosto dele, colocou a mão em volta do pescoço dele e sussurrou que estava muito feliz de estar com ele nesse momento tão importante, mas que ela precisava ir e ele tinha que aproveitara sua festa de formatura com as pessoas que estiveram com ele nos últimos quatro anos. Sem dar espaço para que ele respondesse qualquer coisa, ela saiu bem rápido, limpando as lágrimas que teimavam em cair, nesse exato momento começa a tocar a música favorita dela, “And I’dgive up forever to touch you, ‘Cause I know that you feel me somehow...”, ela para por um instante, sente seu coração quase sair pela boca, mas com toda frieza que é capaz de sentir, ela continua  andar sem olhar para trás, enquanto ele está parado olhando ela ir, ele vê ela parar, respira fundo e começa andar em direção a ela, que também continuou a andar em direção a saída.

Ela chegou no aeroporto e foi trocar de roupa e limpar a maquiagem que estava toda borrada de tanto chorar.
Entrou no avião e seu coração estava em pedaços. Seu celular não parava de chegar mensagens, e em todas era ele. Ela não conseguia encontrar palavras que não o machucassem mais.

Chegando em Londres ela mandou uma mensagem apenas dizendo que havia chegado e que estava tudo bem. Uma semana depois ela mandou mensagens dizendo que estava amando o lugar, que estava estudando bastante e que em breve ligava para ele para contar todos os detalhes. A única resposta dele foi “Legal. Que bom que todos os seus sonhos estão se realizando. Boa sorte”. Ela sabia que ele estava desejando tudo do fundo do coração, mas também entendeu que aquelas poucas palavras eram para ela deixar de mandar mensagens. Ela sabia que toda vez que ele recebia suas mensagens seu coração se despedaçava mais uma vez.

Passou um ano. Ela estava triste, com saudades, cheia de coisas para contar. Pegou o telefone e ligou para ele, tocou diversas vezes até que ela percebe que aquele “Alô” não é familiar. Ela desliga o telefone e sem que perceba já está chorando e imaginando diversas coisas sobre ele e a voz que atendeu. Poucos minutos se passam até que seu telefone começa a tocar e o nome e a foto dele aparecem no visor. Seu coração congela. As borboletas no estômago parecem que estão entrando em guerra. Ela respira fundo e atende. Ela logo vai se explicando que desligou achando que tinha ligado errado. Ele ri, mas não se explica. Eles conversam tão natural como se tivessem se falado a poucos dias. Um descreve ao outro um resumo do ano. Ele diz tchau e pede para ela se cuidar, ela agradece, deseja o mesmo a ele, mas antes de desligar pergunta quem tinha atendido o telefone, e ele fica mudo. Ele começa dizendo que queria que ela soubesse por ele, e pede desculpas por não ter lhe contado assim que começou. Ela em meio a lágrimas balança a cabeça que está tudo bem como se ele pudesse ver ela naquele momento. Ele a chama, já que ela deixa de responder, mas ela diz que está tudo bem, que isso ia acontecer uma hora ou outra, diz que precisa desligar porque precisa voltar estudar e se despede.



Ela pega seu casaco e sai, ela precisava respirar, sentir o ar frio. Depois de quase uma hora caminhando ela entra num pub para se esquentar um pouco. Pede uma tequila, fica uns cinco minutos olhando para sua dose, empurra ela um pouco para mais longe. Nesse momento percebe que sentou um cara ao lado dela, ela puxa para mais perto dela aquele copo ainda cheio. O cara pergunta porque ela não bebe logo. Ela responde com os ombros, como se ela mesma não soubesse o porquê, e apenas diz que nunca saiu beber sozinha e que aquilo parece depressivo demais até para ela. O cara chama o garçom, pede a mesma coisa que ela, ergue o copo e diz que ela não está mais sozinha. Ela sorri e vira aquela dose. E vira mais outra e outra e outra. E sem saber bem o que está fazendo ela percebe que está beijando aquele estranho. Mas ela não se sente mal com o que está acontecendo. Tudo parece confuso, um tanto errado, mas ao mesmo tempo libertador.

No outro dia ela acorda cedo, e aquele cara até então ainda estranho, está deitado ao lado dela. Ela está ainda confusa com a outra noite, mas não deixa de notar o quanto ele é bonito. Ele acordou, olhou para ela e sorriu. Disse que ela podia ficar calma porque não aconteceu nada entre eles. Mas que ela tinha pedido para ele passar a noite lá, caso ela quisesse fazer alguma ligação comprometedora. Ele se apresentou novamente a ela.

- Bom dia Gabriela, não sei se você se lembra de tudo, mas sou o Noah. Sei quase tudo sobre você agora – e sorriu.

Noah contou tudo o que ela tinha contado a ele. Eles riram diversas vezes e ela agradeceu por ele ter sido legal. Eles trocaram os números um com outro e combinaram de se ver outra vez.

E logo passou um ano que Gabriela e Noah estavam juntos e felizes, e ela achou que não sentiria isso com ninguém além do Fernando.

Ela estava ficando triste e ansiosa, o último dia da pós-graduação enfim chegou. E com isso também chegava ao fim seu momento em Londres, a não ser que ela aceitasse a vaga de redatora onde ela trabalhou enquanto fazia a pós, mas essa vaga era apenas de um ano. Depois disso ela teria que seguir com os próprios passos. Ela e Noah ainda não tinham falado sobre isso. Terminando a pós, também terminava o contrato de alojamento dela em Londres. E mesmo que ela aceitasse a vaga de redatora ainda assim ela não teria onde morar.

Noah a convidou para morar com ele por esse ano ou até ela resolver todos os seus problemas. Ela aceitou e disse que ajudaria ela com os gastos e com a organização do apê. Ela tinha encontrado uma pessoa boa, que gostava dela e que sabia tudo sobre ela. Realmente tudo. 

Noah trabalhava com fotografia, e tinha diversos trabalhos para o final de semana. Ela não se importava de ficar sozinha, na verdade até gostava um pouco, aproveitava para arrumar as coisas na casa dele e conhecer o espaço. Aproveitou que estava sozinha e passou horas na internet fazendo coisas aleatórias, até que aparece em sua tela de atualização de status “Fernando ficou noivo de Isabela”, seu coração disparou e parece que tudo ficou preto. Ela não acreditava no que lia. Ela não acreditava que todos os amigos em comum deles comentavam e curtiam, desejavam felicidades. Ela ouviu um barulho de chave abrindo a porta da sala, sentiu um medo, mas graças a Deus era apenas Noah. Ela achou estranho, mas no fundo ficou feliz. Ele tinha chegado mais cedo do que o planejado. Disse que não queria deixar ela sozinha no primeiro final de semana dela morando com ele. Ela sorriu e disse que ele era maravilhoso. Ele perguntou se tinha acontecido alguma coisa com ela, pois ela estava com uma cara de triste. Ela convincente disse que não. Que estava apenas com saudades dele. Ele sorriu de volta e disse que tinha uma surpresa. Falou para ela se arrumar que eles iriam sair. 

Ela conseguiu se animar de verdade e colocou a melhor roupa que tinha naquele momento fora das caixas. Entrou no carro e ele entregou dois tickets a ela “Wrong Crowd Concert – Tom Odell in Camden Assembly”. Ela gritou de felicidade. Tinha tentado comprar ingressos duas vezes para esse show e estava “Sold Out”. Realmente Noah a conhecia muito bem. 

Ela cantava todas as músicas e o agradecia em todas as músicas com um beijo no rosto. Assim que “Constellations” começou a tocar ela o abraçou e disse que não poderia estar em melhor lugar. Noah sorriu, pegou sua mão, disse que não era apenas para o show que ele havia trazido ela, disse que tinha uma coisa a dizer. Ele sorriu novamente, pois ele sabia que aquele sorriso a encantava. Noah olhou-a nos olhos e disse que sabia que ela ficaria por mais esse ano, mas que ele queria que ela ficasse para sempre com ele e que não importava se fosse em Londres ou no Brasil. Assim que ele disse Brasil o coração dela congelou e ela se lembrou que o Fernando estava noivo de uma tal de Isabela. Ela sorriu e disse que também queria estar com ele por muito mais tempo e não apenas mais esse ano. Eles nunca tinham falado sobre isso. Noah tirou uma aliança do bolso, e disse que aquilo não era um pedido de casamento, mas sim um pedido para que ela não saísse de sua vida.

Ela o abraçou com tanta força. Com tanto amor. Tudo parecia um filme, aquela música, aquele pedido, aquele dia péssimo que ela tinha passado sozinha. Tudo parecia mentira naquele momento.



Parte Dois termina por aqui.

E ai? O qua estão achando da história?













 
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